Grupo de empresas de Seia cria máscaras e viseiras para doar

Três modelos de máscaras concebidas e produzidas pelas empresas de Seia

Duas empresas de Seia, uma do ramo da publicidade e do design e outra de confecções, estão a produzir viseiras e uma máscara de protecção reutilizável para doar a profissionais de saúde, bombeiros, lares e centros de dia, forças de segurança e pequenos comerciantes, no âmbito do combate à pandemia da Covid-19.

Ao PORTA DA ESTRELA, um dos empresários (que não pretende ser identificado) explica que o projecto, que reúne vários parceiros, «foi concebido porque sentimos a necessidade de se criar uma protecção para diversos sectores que contactam ou trabalham directamente com o público, numa altura em que estes equipamentos escasseiam», de forma a garantir melhores condições de segurança aos profissionais de saúde, agentes de protecção civil, Instituições Particulares de Solidariedade Social e pequenos comerciantes.

Recorte e retirada dos óculos

Da ideia ao projecto foi um passo. Criado e validado o protótipo de uma viseira, que permitiu chegar a uma solução feita em material plástico, que é bastante ergonómica no encaixe da cabeça e que é muito leve. A solução também tem a vantagem de ser reutilizável por diversas pessoas, já que a peça frontal que é feita em plástico pode ser desinfectada e o plástico de encaixe também pode ser substituído, quando danificado.

A “máscara do povo”, como alguém já lhe chama, não se encontra à venda. Não são aceites encomendas e não são fabricadas para a área de retalho e comércio.

Dobragem das hastes dos óculos

Para que este modelo possa ser distribuído pelo maior número de portugueses, a empresa de Seia está disposta a ceder os projectos a todas as congéneres de Norte a Sul do país. «O grande objectivo é «ajudar o país», afirmou.

O pedido de colaboração tem estado a chegar de diversos pontos do país e também do estrangeiro. Um kit com material pronto a montar vai ser enviado para Nantes (França), onde Alfredo Barata, emigrante natural do Aguincho (Alvoco da Serra), já tem diversas empresas dispostas a produzir as viseiras, para distribuir essencialmente por unidades de saúde.

Linha de montagem das viseiras

O empresário senense apela à cedência por parte de empresas de pontas de acrílico de 3mm, de qualquer cor, e que já não sirvam, para que possam ser fabricadas mais máscaras, porque o objectivo «é fazer o maior número de viseiras possíveis, aumentando a segurança das populações».

Até ontem, sexta-feira, já tinham sido distribuídas por profissionais de saúde, agentes de protecção civil, Instituições Particulares de Solidariedade Social e pequenos comerciantes cerca de 700 viseiras.

Viseiras prontas para embalar

Precisam-se costureiras para finalizar máscara extra-hospitalar

Além dos dois modelos de viseira em polifilme e acrílico, no “laboratório” da empresa de design e publicidade foi também criada uma máscara totalmente manufacturada à mão para uso extra-hospitalar. Esta máscara, produzida por uma empresa de confecções do concelho, é 100% poliéster e fibras 100% virgens e pode ser lavável até 200 graus. A diferença desta máscara, versátil e de baixo custo, é que contém uma bolsa que leva um elemento filtrante descartável, que actua como agente absorvente, utilizado pela componente médico-hospitalar.

Viseiras embaladas prontas para entrega

As empresas Seilimp e Grupo Arnaldo Saraiva cederam consumíveis e as empresas Ecolã (Manteigas), Malhas Isabel (Santa Marinha), Mundiveste e Centromaq (Oliveira do Hospital), Seia Decor e Mónica Costureira (Seia), Sousa e Santos (Paços da Serra) disponibilizam costureiras para ajudar a finalizar o processo. Também em Loriga diversas costureiras estão a mobilizar-se para criar grupos de trabalho.

A Câmara Municipal de Seia também se associou à iniciativa e fez uma encomenda de 2.000 máscaras de protecção reutilizáveis para utilização em contexto extra-hospitalar, que vai doar às instituições do concelho.

Entrega das viseiras a instituições

A autarquia decidiu «adquirir o primeiro lote de produção para sectores de actividade que requerem um elevado grau de higienização», refere em comunicado. «A iniciativa visa suprir as necessidades em matéria de equipamentos de protecção individual, ainda mais essenciais num momento em que vivemos um problema de saúde pública sem precedentes», justifica a autarquia presidida por Carlos Filipe Camelo.

Segundo a fonte, o empresário senense José Manuel Rogeira (de comércio por grosso e a retalho não especializado de produtos alimentares e não alimentares/bebidas e tabaco) e o hipermercado Muito Menos manifestaram disponibilidade para financiar, integralmente, a aquisição que o Município fará do primeiro lote de produção daqueles equipamentos de protecção individual. «Para além da disponibilidade financeira, o empresário colocou ao dispor dos promotores recursos humanos e logísticos – mão-de-obra, transporte, aquisição de matérias-primas, entre outros – no sentido de agilizar a produção tão breve quanto possível», lê-se na nota de imprensa.

 

Viseira adapta-se a pessoas com óculos

ÚLTIMA HORA

Seia cede máscaras e viseiras a Ovar

Cedendo ao apelo feito pela GNR de Ovar aos colegas de Seia, cerca de 70 viseiras e máscaras de protecção facial estão já a caminho daquele concelho, para serem utilizadas pelos militares que estão no controlo de entradas e saídas na área geográfica de Ovar, após ter sido declarado o estado de calamidade pública e decretada a quarentena abrangendo toda a população de Ovar devido ao surto da Covid-19.

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