Bandas Filarmónicas estão sem receitas e pedem apoio ao Governo

A Confederação Musical Portuguesa (CMP) vai pedir apoio ao Governo para as bandas filarmónicas, face à perda de receitas originada pelo cancelamento das festas populares/religiosas devido à Covid-19, iniciativas que lhes garantiam a maior fatia das suas receitas.

O presidente da organização, Martim Caetano, garantiu à Lusa que os prejuízos financeiros são de «elevado montante» porque, na maioria dos casos, «o financiamento anual de uma banda filarmónica provém das receitas dos seus serviços».

«O prejuízo é enorme, até porque existe já uma decisão da Conferência Episcopal Portuguesa que adia um ano todos os eventos de cariz religioso, nomeadamente as festas e romarias, onde obrigatória e historicamente as bandas filarmónicas portuguesas têm uma presença contínua e indispensável», sublinha.

Neste quadro, o presidente da CMP teme o encerramento de algumas bandas, sobretudo aquelas que «têm pouco apoio financeiro das Câmaras Municipais e Juntas de Freguesia», que têm um «papel fundamental» no financiamento das filarmónicas.

«É muito importante que esses apoios se mantenham e sejam reforçados», enfatiza Martim Caetano, considerando que se «não houver um reforço de apoios pode acontecer que algumas fechem portas, como já aconteceu no passado durante outras crises».

A CMP está, neste momento, a elaborar um dossiê nacional para fundamentar a «necessidade de apoio financeiro imediato, dentro daquilo que são necessidades imediatas, para evitar uma paragem das bandas filarmónicas mais carenciadas financeiramente».

«Esse dossiê nacional passa por recolher uma declaração das necessidades financeiras imediatas das bandas de música, que estão a ser contactadas individualmente até ao fim da próxima semana», assegurou.

O documento vai ser depois apresentado a várias entidades públicas, entre elas o Governo, e a várias entidades mecenáticas, «no sentido de se conseguir um apoio financeiro extraordinário, exactamente para fazer face a estas carências financeiras extraordinárias, que decorrem da paragem da actividade».

Além da crise financeira provocada pela pandemia da Covid-19, o presidente da CMP, Martim Caetano, realça ainda os «prejuízos ao nível artístico», com o cancelamento dos ensaios presenciais e das actuações das bandas e das escolas de música.

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