Postos de vigia do distrito da Guarda mobilizam 24 homens e mulheres

Vinte e quatro homens e mulheres asseguram desde quinta-feira o funcionamento diário dos seis postos de vigia do distrito da Guarda integrados na rede nacional coordenada pela GNR, no âmbito do Dispositivo Especial de Combate a Incêndios Rurais.

Os postos de vigilância funcionam durante 24 horas por dia e constituem a denominada Rede Primária, que estará activa até ao dia 6 de Novembro.

No distrito da Guarda estão a funcionar postos nos concelhos de Guarda (Pedra do Vento), Fornos de Algodres (Algodres), Sabugal (Serra da Malcata), Manteigas (Azinha), Trancoso (Serra do Pisco) e Figueira de Castelo Rodrigo (Serra da Marofa).

Segundo o major Marco Pina, do Comando Territorial da GNR da Guarda, os equipamentos da rede nacional de postos de vigia são assegurados localmente por 24 vigilantes, sendo 20 homens e quatro mulheres.

«A grande maioria dos vigilantes são pessoas que já fazem este trabalho há vários anos», disse à agência Lusa.

Marco Pina indicou que a rede de postos de vigia, da responsabilidade da GNR, «assegura em todo o continente as funções de detecção fixa de ocorrências de incêndios».

Além deste tipo de vigilância, no distrito da Guarda é feito patrulhamento móvel e existe um sistema de videovigilância remoto (com 13 câmaras de vigilância activas durante 24 horas por dia).

O objectivo da vigilância é «a identificação imediata e a localização precisa das ocorrências de incêndio e a sua comunicação rápida às entidades responsáveis pelo combate, e a cedência de informação útil à investigação das causas de incêndio florestal».

Dois operadores de vigilância que estão em actividade no distrito da Guarda, contratados pela GNR especificamente para esta actividade sazonal, disseram à Lusa que os postos de vigia têm «um papel importante» no alerta para «incêndios à nascença».

«A presença nos postos de vigia é importante. Eu e os colegas, quando estamos de serviço, estamos sempre a vigiar a área à nossa volta e se houver algum sinal de fogo damos o alerta para o Comando Distrital de Operações de Socorro (CDOS) da Guarda. Se soubermos o local dizemos logo, se não soubermos, damos as coordenadas e depois eles fazem o cruzamento dos dados e apuram o local», disse Lídia Caetano, de 53 anos, vigilante no posto da Asinha, Manteigas, na Serra da Estrela.

A mulher, que é residente em Verdelhos (Covilhã), é vigilante há 31 anos, tal como o marido, e nos últimos 26 tem estado sempre a trabalhar no actual local.

«Isto agora, nesta altura, está calmo», disse a mulher, admitindo que «as coisas começam a ‘apertar’ mais» no pico do verão e, em alguns anos, «nos meses de Setembro e de Outubro».

A mulher, que faz turnos de oito horas, incluindo períodos nocturnos, diz que não tem medo de estar sozinha no posto de vigia, porque já está habituada.

No dia-a-dia, para além da mesa de ângulos e de dois binóculos, costuma ter a rádio por companhia.

Habituada ao sossego do local e à paisagem em redor do posto de vigia construído em granito, Lídia Caetano não se «imagina a fazer outra coisa na vida». No entanto, os 31 anos que leva de actividade ficaram marcados pelo alerta que deu para um incêndio que ocorreu em Julho de 2006, em Famalicão da Serra, Guarda, onde morreram cinco sapadores chilenos e um bombeiro. «Nunca mais me esqueci desse dia», disse.

No posto de vigia da Pedra do Vento, próximo da Guarda, uma moderna estrutura tubular em ferro com 10 metros de altura, que tem 28 escadas e obriga a utilizar um arnês nas subidas e descidas, trabalha há cinco anos consecutivos o vigilante António Teles, de 50 anos.

O homem contou à Lusa que «lá no cimo» se sente «mais seguro» do que no solo, porque ao entrar na estrutura metálica, antes de iniciar a subida, fecha a porta e «mais ninguém lá entra».

«A subida é a parte pior do trabalho, mas, em termos de segurança, está um espetáculo. E tem casa de banho e tudo», atira, com satisfação.

António Teles que tenciona continuar operador de vigilância até atingir a idade da reforma, gosta do que faz, embora no período de serviço só tenha «dois rádios por companhia», sendo um deles o de serviço que lhe permite comunicar com o CDOS em caso de alerta.

«Gosto de estar cá em cima, no sossego, onde ninguém me chateia. E trabalhar de dia ou de noite é igual. Não tenho medo nenhum. De noite até se localizam melhor os incêndios», disse o homem que no desempenho das funções de vigilância tem de «estar muito atento ao que se passa no horizonte».

O vigilante não tem dúvidas de que os postos de vigia da rede nacional contribuem «para que muitos incêndios morram à nascença».

O Ministério da Administração Interna anunciou que na quinta-feira foram activados os primeiros 77 postos de vigia da rede nacional de postos de vigia, que constituem a rede primária, que estará activa até ao dia 6 de Novembro e para a qual foram contratados mais de 300 operadores de vigilância, que asseguram o seu funcionamento 24 horas por dia.

«A Rede Secundária, constituída por 153 postos de vigia, estará activa de 29 de Junho até 15 de Outubro», segundo a fonte.

No total, a rede será composta por 230 postos de vigia, com 920 operadores.

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