Observatório da Assembleia da República defende colocação de aviões Canadair em Seia

Saída dos aviões de Seia para Castelo Branco não é bem vista pelos especialistas

O Observatório Técnico Independente da Assembleia da República volta a colocar reservas quanto à rentabilidade dos meios aéreos pesados retirados no ano passado do Aeródromo de Seia (Guarda) e colocados em Castelo Branco.

Numa análise sobre os meios que este ano integram o Dispositivo Especial de Combate aos Incêndios Rurais (DECIR), o Observatório refere que a colocação dos aviões Canadair no Centro de Meios Aéreos (CMA) de Castelo Branco, que habitualmente ficavam sediados no CMA de Seia e que no ano passado saíram por razões de segurança, não é a melhor opção.

Com as ocorrências a registarem-se generalizadamente a norte do rio Tejo com particular incidência nos distritos localizados a norte do país, o Observatório volta a referir que a relocalização de Seia para Castelo Branco, a uma distância em linha reta de 71 quilómetros, «irá diminuir significativamente o tempo de autonomia no teatro de operações destes de meios, sempre que forem mobilizados para norte de Seia».

Segundo este organismo, estes dois meios de âmbito nacional são únicos no dispositivo, escassos no mercado, dispendiosos e cuja rentabilidade deverá ser sempre maximizada. «Assim, a não ser possível a sua manutenção em Seia, e atendendo ao histórico da mobilização dos meios aéreos pesados em anos anteriores, o Observatório considera que a relocalização destes meios aéreos deverá ter como referência outro CMA a norte de Seia, garantindo uma melhor centralidade às áreas de maior risco, de forma a garantir a sua máxima rentabilidade», refere, reconhecendo as condições de excelência do CMA de Castelo Branco.

Na análise efectuada pelo Observatório, o contexto do risco de incêndios para este ano é «preocupante», com o impacto da pandemia da Covid-19 a juntar-se às preocupações já anteriormente existentes.

«O contexto do risco para o ano corrente é preocupante», lê-se na nota divulgada, que aponta para a «situação de crise pandémica devido à Covid-19, com redução da mobilidade geral da população, e com confinamento especial de grupos de risco, com medidas de distanciamento físico – erradamente designado por ‘social’ – e com restrições à permanência de um número elevado de pessoas em espaços limitados».

Este novo enquadramento vai influenciar a constituição de equipas, de guarnições, de tripulações de aeronaves, de equipas helitransportadas e postos de comando, «o que levará necessária e obrigatoriamente à elaboração de um plano de contingência», sublinha a entidade, acrescentando que os trabalhos decorrem «numa altura em que é incerto o conhecimento sobre a evolução da pandemia nos próximos meses».

De acordo com a análise ao dispositivo de combate aos incêndios rurais em 2020 feita pelos peritos do Observatório, para além da questão da Covid-19, «mantêm-se muitas das preocupações anteriores», uma vez que «para além da influência das alterações climáticas, também a susceptibilidade do território à ocorrência de incêndios rurais não diminuiu».

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