Comunidade Intermunicipal Viseu Dão Lafões lamenta supressão de comboios na Linha da Beira Alta

A Comunidade Intermunicipal (CIM) Viseu Dão Lafões lamentou hoje que a CP tenha suprimido três horários do comboio Intercidades, desde segunda-feira, o que considera «mais um ataque ao Interior» e às suas gentes.

«O Conselho Intermunicipal da CIM Viseu Dão Lafões manifesta, de forma unânime, o seu repúdio por tal decisão, exigindo a reposição imediata dos horários suprimidos, mantendo em funcionamento a operação até aqui desenvolvida», refere aquela organização, em comunicado.

A sua indignação prende-se com o facto de esta decisão ter sido tomada «a coberto da situação vivida pelo país, por força do surto pandémico de Covid-19», e «sem que antes tenha estabelecido qualquer tipo de diálogo com a CIM Viseu Dão Lafões, nem com os municípios seus associados».

No seu entender, «não pode uma empresa, que até é paga com os impostos de todos os portugueses, a tomar decisões que contribuem para o isolamento das populações e que colocam em causa a coesão social dos territórios».

O Conselho Intermunicipal da CIM pergunta ao presidente da CP «se o tão propalado reforço da oferta de longo curso apenas se destina aos portugueses e às portuguesas do litoral e das grandes áreas metropolitanas».

«Não pode a Comunidade Intermunicipal Viseu Dão Lafões deixar de afirmar que esta é mais uma decisão que isola o Interior, fragiliza os nossos territórios e amplifica as assimetrias regionais», sublinha.

Em resposta à Lusa, a CP disse que «no cenário de retoma gradual da actividade económica do país», a empresa «não repôs a oferta habitual a 100% nesta ligação». «Assim, desde o passado dia 31 de Maio, as ligações Lisboa – Guarda passaram a ser asseguradas por dois comboios Intercidades, por sentido. A CP vai manter diariamente a monitorização da procura destes serviços para introduzir eventuais alterações ou reforços de capacidade, sempre que a evolução da procura o justifique».

A ministra da Coesão Territorial afirmou, na quarta-feira, em Viseu, tratar-se de uma «interrupção temporária». «Fiz uma articulação com o Ministério das Infraestruturas e Habitação, no caminho [para Viseu], e o que nos foi garantido é que estamos a falar de uma interrupção temporária e que terá sido feita no período da pandemia por falta de procura, que não é mais nada do que isso e que será retomada. Nós todos acompanharemos isso», explicou Ana Abrunhosa aos jornalistas.

No entanto, os deputados do CDS-PP, João Pinho de Almeida e João Gonçalves Pereira, questionaram o Governo sobre a supressão de três ligações do comboio Intercidades na Linha da Beira Alta, duas no sentido Lisboa-Guarda e uma no sentido Guarda-Lisboa.

Na pergunta dirigida ao ministro das Infraestruturas e Habitação, os deputados querem que o governante confirme a supressão das três ligações do Intercidades da Linha da Beira Alta e questionam «se é verdade que a decisão foi tomada sem qualquer consulta prévia ou sem ter sido dado conhecimento às entidades locais e regionais».

Os deputados perguntam também se o governante «confirma que a supressão das referidas ligações é uma situação transitória», em resposta à emergência sanitária que o país atravessa, e se a justificação para a decisão é «técnica, de saúde pública, ou outra, e, em qualquer dos casos, qual é essa justificação».

Por fim, João Pinho de Almeida e João Gonçalves Pereira querem saber do Governo qual é a previsão temporal para a reposição das ligações ferroviárias que foram suprimidas, desde segunda-feira, na Linha da Beira Alta.

O CDS-PP reconhece tratar-se de uma decisão «que discrimina negativamente dois dos mais importantes distritos do Interior e da região Centro – Viseu e Guarda -, e num momento dos mais difíceis dos últimos anos, em que o país precisa de políticas activas de discriminação positiva em reforço da coesão territorial e não de políticas que cavem ainda mais o fosso entre Litoral e Interior».

 

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